Mostrando postagens com marcador Judeus. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Judeus. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 10 de março de 2009

Bento XVI diz que negar Holocausto é ‘inaceitável’

O Estado de S. Paulo, domingo, 15 de fevereiro de 2009

Olmert falou da peregrinação papal durante uma reunião do gabinete de governo, neste domingo. “Em maio deste ano, Israel receberá um visitante especial, o papa Bento XVI”, disse Olmert, sem dar a data exata. “O presidente Shimon Peres vai acompanhá-lo em suas visitas a várias partes do país”.

Peres, de 85 anos, é um ganhador do Prêmio Nobel da Paz e toma parte nos esforços pela reconciliação no Oriente Médio há décadas.

A única visita oficial anterior de um papa a Israel havia sido feita em 2000, por João Paulo II. O papa Paulo VI esteve no país em 1964, mas passou apenas parte de um dia no país e não entrou na parte israelense de Jerusalém — na época, a cidade era dividida em um setor israelense e um jordaniano. Ele se reuniu com o presidente do país em Megiddo, no norte de Israel, mas não se dirigiu a ele como “presidente”, e não mencionou a palavra “Israel” em público. Os dois Estados só passaram a manter relações diplomáticas na década de 90.

O Vaticano critica uma foto do papa Pio XII no memorial do Holocausto, cuja legenda diz que o pontífice não fez nada para ajudar os judeus que eram capturados pelos nazistas e enviados para a morte. E Israel recentemente ofendeu-se com declarações do cardeal Renato Martino, de que uma campanha militar recente empreendida pelo país fez com que o território palestino da Faixa de Gaza parecesse “um grande campo de concentração”.

Papa recebe judeus e diz que negar Holocausto é intolerável


Folha de S. Paulo, sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009


The New York Times

Cidade do Vaticano — Em um esforço de reconciliação após ter revertido a excomunhão de um bispo que nega o Holocausto, o papa Bento 16 declarou, em uma reunião com líderes judaicos, que a Igreja Católica tem “um compromisso profundo e irrevogável” com a rejeição ao antissemitismo.

Ele condenou a negação do Holocausto como “intolerável”, sobretudo para o clero, e disse que deve estar claro que o extermínio de judeus se tratou de “um crime contra Deus e a humanidade”.

Em discurso a uma delegação de 60 representantes da conferência de líderes judaicos dos EUA, Bento 16 anunciou ainda que planejava ir a Israel. Segundo o Vaticano, a expectativa é que a viagem aconteça em maio.

Muitos dos membros da delegação reagiram de forma positiva. O rabino Arthur Schneier classificou as declarações como “um passo maravilhoso para sanar um tremendo problema”. Mas houve quem pedisse mais. Para Abraham Foxman, diretor da Liga de Antidifamação, Bento 16 deve voltar a excomungar o bispo polêmico.

As declarações do papa ontem estão entre as mais fortes nas últimas semanas.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

‘O Papa decepcionou judeus e muçulmanos’

O Globo, domingo, 8 de fevereiro de 2009

Graça Magalhães-Ruether

Berlim — O teólogo suíço Hans Küng, de 80 anos, ex-colega de Joseph Ratzinger no Departamento de Teologia da Universidade de Tübingen, nos anos 60, disse que as últimas decisões do Vaticano causaram um dano quase irreparável para a Igreja Católica. Em entrevista ao Globo, Küng afirmou que não foi por mal-entendido que Bento XVI reabilitou os bispos que negam o Holocausto e que Ratzinger sempre teve uma simpatia pelas tendências ultraconservadoras da Igreja. Para ele, os danos serão notados até no Brasil, onde a perda de credibilidade poderá causar uma escassez ainda maior de padres. Küng é presidente da Fundação Ética Mundial, que promove o estudo de relações interreligiosas, com sede na Alemanha.

— Na sua opinião, o Papa foi ingênuo ao suspender a excomunhão dos bispos?

— Ele não foi ingênuo e não se trata também de um mal-entendido, nem de um erro de comunicação. O Papa decepcionou agora os judeus da mesma forma que fizera antes com os muçulmanos. Já em consequência da sua origem bávara, ele sempre teve um devocionismo católico. As últimas decisões do Vaticano causaram um dano quase irreparável para a Igreja Católica.

— No início do seu pontificado, Bento XVI parecia ter deixado de ser reacionário. O que mudou?

— Eu acho que ele decepcionou o mundo católico. Eu também me decepcionei. Pouco depois do conclave, em 2005, eu tive com Bento XVI uma conversa de quatro horas em Castel Gandolfo. A minha impressão foi muito positiva. Pensava que se tratava do início de uma nova era. Mas depois não vi mais nenhum sinal por parte dele que indicasse que queria renovar a igreja. Vimos apenas um retorno ao passado, a volta da missa em latim, as orações pela iluminação dos judeus da Sexta-Feira Santa e agora essa reabilitação de bispos que têm posições contra os judeus.

— O senhor é a favor de uma possível renúncia do Papa Bento XVI?

— Teoricamente, uma renúncia seria possível. Alguns jornais chegaram a divulgar que eu havia exigido a renúncia, mas isso não é verdade. Eu exigi apenas uma correção da política do Vaticano.