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sexta-feira, 27 de março de 2009

‘O Estado tem feito uma política de aborto’

O Globo, domingo, 22 de março de 2009


Catarina Alencastro

Assessor da Comissão Vida e Família da CNBB, padre Luiz Antônio Bento diz que o governo tem feito uma política pró-aborto. Critica o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, e o presidente Lula, por ter distribuído [preservativos] no carnaval.

O Globo — A Igreja condena todo aborto?

Padre Luiz Antônio Bento — Sim. A Igreja Católica é contrária a qualquer forma de agressão à vida. A missão da medicina é salvar vidas, não matar. É diferente de fazer um aborto terapêutico, como alguns chamam o aborto em casos de anencefalia. É um aborto eugênico, é um aborto para eliminar crianças que têm malformação. Hoje são os anencéfalos, amanhã poderão ser os que têm Síndrome de Down.

— O que achou da condenação da Igreja ao aborto feito pela menina estuprada?

— A Igreja vai ajudar essa família. Mas a imprensa fica falando só do bispo. Estão usando a menina para criar uma mentalidade abortista. O padre Edson, de Alagoinha, e a comunidade estarão próximos desta mãe. O Temporão vai estar muito longe. Vivo nas periferias. Sei o que passam nos postos de saúde.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Em nota, CNBB diz que estupro foi ‘ato insano’

Folha de S. Paulo, sábado, 7 de março de 2009


Brasília — O estupro da menina de nove anos pelo padrasto em Pernambuco foi um “ato insano”, de acordo com nota divulgada ontem pela presidência da CNBB, que se disse “perplexa”.

“Repudiamos veementemente este ato insano e defendemos a rigorosa apuração dos fatos, e que o culpado seja devidamente punido, de acordo com a Justiça”, diz o texto. A nota da instituição não faz referência à excomunhão da mãe da menina, que autorizou o aborto, e dos médicos que o conduziram, anunciada pelo arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho.

Também não comenta as afirmações do presidente Lula sobre o caso e a reação da igreja. No texto, a CNBB também reforçou o posicionamento contrário à interrupção da gravidez — defendido por dom José Cardoso Sobrinho — citando trecho de outra nota, divulgada pelos bispos da Regional Nordeste 2 da instituição, na qual está o Estado de Pernambuco: “Diante da complexidade do caso, lamentamos que não tenha sido enfrentado com a serenidade, tranquilidade e o tempo necessário que a situação exigia. Além disso, não concordamos com o desfecho final de eliminar a vida de seres humanos indefesos”.

A segunda nota faz críticas à legislação brasileira, que, afirma o texto, reflete “a cultura dominante, que nem sempre respeita os princípios éticos e naturais” — a lei permite o aborto em vítimas de estupro ou quando a gestante corre risco de vida.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Campanha da CNBB ataca prática do ‘rouba, mas faz’

Folha de S. Paulo, segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Flávio Ferreira

A indiferença em relação à corrupção na política, expressada em enunciados como “rouba, mas faz” ou “tudo acaba em pizza”, será alvo da Campanha da Fraternidade de 2009, segundo a CNBB.

A campanha deste ano terá como tema segurança pública, mas também abordará assuntos de ética na política.

As discussões nas reuniões e celebrações da campanha, que ocorrem em igrejas, escolas e casas, poderão impulsionar um movimento de coleta de assinaturas para criar uma lei que visa barrar candidaturas de políticos com ocorrências na Justiça.

O secretário-geral da CNBB, dom Dimas Lara Barbosa (bispo auxiliar do Rio de Janeiro), afirma que “frases como ‘rouba, mas faz’ são sintomas de uma mentalidade difusa no meio do povo e expressam um indiferentismo perigoso”.

Para Barbosa, “tem muita gente que diz que é preciso levar vantagem sempre, mesmo que para isso seja preciso enganar. Isso pode servir de substrato cultural para justificar situações de impunidade”.

O secretário-geral da CNBB diz que a Campanha da Fraternidade deste ano pode repetir o feito da edição de 1996, que serviu de ponto de partida para a obtenção de 1 milhão de assinaturas para a criação da lei nº 9.840, que tornou mais efetivas as punições em casos de compra de votos.

Igreja propõe debate sobre causas do crime

A Campanha da Fraternidade de 2009 vai chamar a atenção para a necessidade de cobrar dos governantes políticas públicas de prevenção no campo da segurança.

Para a CNBB, os debates sobre as medidas para promover a segurança devem situar-se na análise e discussão dos fatores objetivos que favorecem a violência e a criminalidade e evitar polarizações ideológicas, como aquelas representadas nas ideias de que “o problema do crime é a falta de repressão”, ou de que “o criminoso é uma vítima da sociedade”.

Segundo o frei Carlos Josaphat, assessor da CNBB, a campanha vai incentivar medidas que desestimulem a entrada no mundo do crime, como a promoção da formação educacional. “É preciso mobilizar a opinião pública para exigir uma maior incrementação da qualidade e investimentos na educação”, disse.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

CNBB defende punição de torturadores

Christiane Samarco

A CNBB quer a abertura dos arquivos do regime militar e a punição dos torturadores que atuaram a serviço da ditadura. Foi o que defendeu o presidente da CNBB, d. Geraldo Lyrio Rocha, com o alerta de que “perdão não é sinônimo de impunidade”, e a defesa da tese de que “a abertura dos arquivos poderá elucidar e trazer a lume uma página dolorosa da história”.

D. Geraldo recebeu ontem, na sede da Conferência em Brasília, a ‘caravana da anistia”. Por iniciativa da Comissão da Anistia do Ministério da Justiça, a CNBB foi escolhida como sede de uma sessão especial de julgamento em que foram apreciados 13 requerimentos de anistia política nos quais se pede indenização para religiosos e militantes ligados à Igreja que sofreram perseguição e tortura durante o regime militar.

“Temos que perdoar, porque sem perdão não há reconciliação e sem reconciliação não há paz. Mas impunidade, não”, pregou dom Geraldo.